Contos

Amor Fora Da Lei – Capítulo 3

Ticão – Todo mundo passa por esse teste antes de entrar na minha facção.

Eu – E eu tenho que fazer o o que?

Ticão – Você tem que matar um policial.

Ao ouvir aquilo o meu coração acelerou,eu teria que matar um policial,um colega de profissão.

Ticão – E ai tá dentro?

Eu – Pra ontem irmão.

Ticão – Assim que se fala.

Ele sorriu e colocou os braços dele por cima do meu ombro e aquilo me deu um arrepio.

O churrasco e a cerveja rolavam solto,junto com o rap e os funks proibidões que tocavame eu fingia que bebia,pois eu precisava me manter o mais sóbrio possível.Eu já tinha até ganhado um apelido entre a galera,aliás dois apelidos uns me chamavam de ruivinho e outros de cabelo de fogo.

A facção tinha mais ou menos trinta homens,quem eu mais me aproximei de primeira foi o Ticão(propositalmente) e além dele eu fiquei bem próximo do Rodrigo e do Batata.

O Rodrigo tinha uns 30 anos,negro alto e com os cabelos dread,já o Batata tinha 25 anos,moreno e meio gordinho.

Os únicos com os quais eu não tinha simpatizado foram o William pelas olhadas descaradas que ele dava pra minha bunda e o outro com o qual eu não simpatizava era o Pirata,ele tinha esse apelido devido ao tapa olho que ele usava no olho esquerdo,fruto de uma facada que ele levou no olho,por ter mexido com a mulher do chefe da antiga facção que ele fazia parte.O Pirata era o mais velho do grupo com 40 anos de idade,era moreno e tinha o corpo bem musculoso e peludo,de cara eu percebi que ele era o mais esperto do grupo,então eu teria que ter cuidado redobrado com ele.

O Batata estava tomando conta da churrasqueira e ele disse.

Batata – Que porra hein,sumiram com o sal de novo!

Eu – Deixa que eu vou lá buscar.

Batata – Vai lá ruivinho.

Para entrar na cozinha eu tive que passar pelo William e pelo Pirata que estavam conversando em um canto e como sempre o William ficou de olho na minha bunda,enquanto eu caminhava.

Eu fui até a cozinha buscar o sal grosso na cozinha e na volta antes que eu abrisse a porta para sair eu ouvi o William e o Pirata conversando sobre mim e decidi ficar atrás da porta para ouvir a conversa.

Pirata – Como é que é essa porra o branquelo mal chegou no bonde e já virou membro tá amiguinho do Ticão e tudo.

William – Eu também estranhei o Ticão nunca deixou alguém entrar na facção assim tão rápido,mas pra ter feito isso ele deve ter sentido firmeza no cara.

Pirata – Achei ele muito mauricinho pro meu gosto.

William – Já viu aquele rabão de puta dele comia fácil hahaha.

Pirata – Caralho tu ainda tá nessa de comer viado,que vacilão kkk.

William – Velhos hábitos nunca mudam kkk.

Pirata – Mas pode ir tirando o seu cavalo da chuva,pois de viado aquele lá não tem nada,ele é muito marrentinho até.

William – Tenho minhas dúvidas colega…ontem mesmo no baile,ele foi pra casa sozinho,sendo que tinha um monte de piranha dando mole pra ele.

Pirata – E quem garante que o cara saiu sozinho mesmo? Mas se bem que se ele fosse viado eu dava uma metida aquele rabão e olha que eu nem sou chegado kkkk.

William – Tô só observando o proceder do cara pra depois meter a piroca nele kkk.

As minhas previsões estavam certas,eu teria que tomar cuidado redobrado com aqueles dois,depois que eles mudaram de assunto eu sai pela porta e eles tomaram um susto ao me ver e eu fiz questão de encarar eles com uma cara nada boa e eles ficaram quietinhos.

Batata – Demorou com esse sal hein.

O churrasco rendeu a tarde inteira e aos poucos as pessoas foram saindo e os últimos a sair fomos eu e o William.

Quando eu fui me despedir do Ticão o William ainda estava na cozinha.

Eu – Valeu pelo churrasco Ticão.

Ticão – Valeu Bruno…cola(aparece) aqui em casa amanhã de manhã pro seu teste.

Eu – Tranquilo.

Eu me despedi dele com um aperto de mão e um abraço rápido e desci o morro em direção a minha casa.

Eu não conseguia tirar aquele teste absurdo de matar um policial da minha cabeça e por isso quando deu por volta das 11 da noite eu fiz uma vídeo chamada para o Marcos.

Marcos – Que cara é essa de preocupado? Alguma coisa saiu do controle?

Eu – Não…é que amanhã eu vou ter que fazer um teste que…

Marcos – Já vai fazer o teste? Então você conseguiu virar um membro rápido.

Eu – Você já sabe do plano?

Marcos – Eu sei…você vai ter que matar um policial.Quando vai ser o teste?

Eu – Amanhã de manhã.

Marcos – Eu já falei com uns policiais do Rio e montei um plano,amanhã pela manhã um policial militar vai ficar dando sopa perto do morro,ele vai ser capturado.

Eu – Tá mais qual é o resto do plano?

Marcos – Esse policial vai estar usando um equipamento que vai proteger o torço dele e quando e você vai atirar bem no abdômen dele onde há uma bolsa de sangue,a morte dele vai ser simulada…a única parte difícil do plano é fazer com que ele deixe você descartar o corpo sozinho.

Eu – Tudo bem…eu entendi…tomara que dê tudo certo.

No dia seguinte pela manhã eu já acordei apreensivo e o Marcos me enviou uma foto do policial que eu deveria capturar.

Eu e Ticão descemos o morro e o policial que faria parte do plano estava bem na frente do morro dando.

Ticão – Olha só um cu azul dando sopa por aqui…foi mais fácil.do que eu pensei.

Nós fomos até o policial e eu dei um soco no rosto dele e ele fingiu ter desmaiado e nós o levamos até um galpão que tinha no morro.

Eu amarrei ele em uma cadeira e ele fingiu ter acordado.

Ele – O que eu tô fazendo aqui? Não me matem pelo amor de Deus.

Ticão – Tarde demais vacilão…quem mandou ficar dando sopa perto da minha favela? Pode mandar braza Bruno.

Eu dei um tiro no abdômen dele e o sangue espirou para todos os lados e ele caiu “morto“.Eu fingi checar o pulso dele e disse.

Eu – O filho da puta tá morto.

Ticão – Maravilha…agora vamos queimar o corpo dele.

Eu – Deixa que eu me livro dele sozinho.

Ticão – Vou te dar essa moral só dessa vez ruivinho,não acostuma não.

Então eu levei o corpo do policial até uma floresta que tinha perto do morro.

Ele – Graças a Deus deu tudo certo.

Eu – Você foi muito corajoso.Obrigado por ter topado.

Ele – Tudo pela causa…agora eu tenho que ir. Disse ele correndo e sumindo no meio das árvores.

Depois de toda aquela tensão que eu passei eu fui caminhando tranquilamente até a minha casa,quando eu fui surpreendido pelo Ticão que apareceu do nada na minha frente e eu acabei levando um susto.

Eu – Caralho que susto!

Ticão – Kkkk achou que fosse a alma penada do policial? Kkkk.

Ticão – Gostei do seu proceder hoje.Pode descansar hoje e apareça lá em casa amanhã cedo que eu vou te mostrar o teu trabalho.

Jean Narrando

Desde que o meu irmão partiu para essa missão no Rio De Janeiro que eu estava na casa do Delegado Marcos,o filho deve,o Diogo,estava viajando no final de semana,então estávamos apenas eu e Marcos na casa.

Na segunda-feira eu acordei cedo,pois eu teria o meu primeiro dia de aula no curso pré vestibular,pois eu pretendia passar para a faculdade de odontologia e para isso eu teria que estudar muito.

O primeiro dia foi bem tranquilo até e bem discontraído e eu acabei almoçando na rua mesmo e ao chegar no apartamento do Marcos eu me assustei ao ver um homem de toalha na sala e nós dois levamos um susto.

Ele – Você deve ser o Jean,o meu pai me falou de você.Disse ele me estendendo a mão.

Eu apertei a mão dele e disse.

Eu – Então você é o Diogo.

Ele era um cara bem bonito,branco dos cabelos pretos e barba por fazer e com músculos bem desenvolvidos para um cara de 20 anos e por um momento eu me repreendi por estar reparando tanto em outro homem.

Diogo – Eu tinha esquecido o meu desodorante aqui na sala,eu vou lá trocar de roupa e volto pra almoçarmos juntos.

Eu – Eu já almocei na rua,mas eu te acompanho sim.

Depois que ele se vestiu nós ficamos conversando na cozinha,enquanto ele almoçava e ele me contou que estava fazendo faculdade de direito e que pretendia ser juíz e eu percebi que nós seríamos grandes amigos.

Otávio Narrando

Na terça-feira de manhã eu fui até a casa do Ticão e ele já estava me esperando no portão.

Ticão – Demorou hein cabelo de fogo.

Nós fomos até uma casa que ficava em um cantinho bem escondido do morro e o Batata estava em frente a casa segurando um fuzíl.

Batata – E aê rapaziada.

O Ticão entrou na casa e pegou um fuzíl e me entregou.

Ticão – É nessa casa que a nossa mercadoria(drogas) é produzida,então por enquanto você vai ficar aqui junto com o Batata fazendo a segurança.Os garotos que trabalham ai dentro tem que ser revistados antes de entrar e depois que saírem da casa e o único que pode entrar ai dentro além de vocês dois sou eu.Entendeu?

Eu – Entendi.

Depois que o Ticão saiu o Batata disse.

Batata – Tá podendo em colega.

Eu – Como assim?

Batata – Esse cargo aqui é de extrema confiança,pro Ticão te botar aqui é porque ele confia em você e olha que demorou anos pra ele me botar pra trabalhar aqui hein.

Então o Ticão confia em mim…bom saber disso.

Depois de termos revistado todo o pessoal que trabalhava ali dentro,nós permitimos que eles saissem de noite e os caras que faziam a segurança pela noite chegaram.Todos de extrema confiança do Ticão.

Ao chegar em casa eu fui tomar um banho e enquanto eu estava no chuveiro eu ouvi batidas na porta.

Eu – Já vai!

Eu me enrolei na toalha e fui atender a porta,ao me ver ele me olhou de cima a baixo.

Eu – William o que você veio fazer aqui a essa hora?

William – Quero falar uma coisa com você. Disse ele sério.

CONTINUA…

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